Empresa privada de CNPJ 13.829.039/0001-68, do comércio varejista de bebidas (atividade principal, CNAE 47.23-7), mantém uma publicação exclusivamente editorial e informativa, sobre história. Ela é independente: não é a CEEE nem a Equatorial, não tem vínculo com nenhuma delas, não atende clientes de distribuidora e não presta nem intermedeia serviço algum. Nomes e marcas aparecem só para identificar o assunto.

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Guia da história da CEEE: linha do tempo, usinas e quem controla cada parte hoje

Por Camila Zanatta · Publicado em 18 de outubro de 2026 · Atualizado em 18 de outubro de 2026

Prédio da antiga termelétrica e sua chaminé altíssima vistos do Guaíba, em Porto Alegre, com um barco no rio
A Usina do Gasômetro e sua chaminé, em Porto Alegre. Imagem: Boaventuravinicius, via Wikimedia Commons; uso autorizado pela licença CC BY-SA, versão 3.0.

Contar a história da CEEE exige conciliar três calendários. O das empresas, que passa de comissão a autarquia, companhia e grupo; o das usinas, em que decreto, obra, inauguração e operação não coincidem; e o das vendas, com autorização, leilão, assinatura e conclusão. Quando alguém mistura os três, nasce a data errada que circula de texto em texto.

Este guia é o mais comprido dos quatro artigos. Ele acompanha a linha do tempo desde o começo até o presente e, a cada trecho, aponta o artigo em que o assunto é aprofundado.

Por que este portal não é a CEEE nem fala por ela

O nome CEEE aparece em muitos lugares: na distribuidora que hoje opera como CEEE Equatorial, em empresas de outros grupos que herdaram a sigla e em páginas que tratam de contas e ligações. Este portal não é nenhuma delas. É uma publicação independente, mantida por empresa privada sem vínculo com a CEEE nem com a Equatorial, e as marcas aparecem só para identificar o assunto.

Por isso não há aqui atendimento, consulta de conta, pagamento, pedido de ligação ou canal de contato com a distribuidora. Quem precisa disso deve procurar a própria empresa, no endereço indicado na página inicial. O que o portal oferece é leitura: datas, nomes, números e as fontes de onde saíram.

A aparência do site acompanha essa escolha. A identidade é a de uma publicação editorial, com o nome do assunto escrito em texto comum e sem símbolo de nenhuma empresa do setor.

Antes de 1943: quando a luz era privada

As primeiras instalações elétricas de Porto Alegre foram inauguradas em dezembro de 1887, segundo o historiador Gunter Axt. Por mais de seis décadas o setor foi dominado pela iniciativa privada, primeiro com capital local e depois com capital estrangeiro. Em 1928, a termelétrica da Volta do Gasômetro foi inaugurada na capital e, no mesmo ano, um contrato de maio levou o serviço de Porto Alegre para uma empresa do grupo norte-americano Amforp.

Quando a comissão foi criada, o quadro era este: de cada dez unidades de energia consumidas no Estado, cerca de sete vinham de instalações de uma só empresa privada, e o poder público controlava no máximo um quarto da geração. Um estudo da Universidade Federal de Pelotas descreve a criação da comissão como alternativa ao serviço das empresas estrangeiras.

O artigo De comissão a companhia detalha esse começo e mostra por que a data de criação varia entre as fontes.

De 1943 a 1963: comissão, autarquia e companhia

A comissão foi criada em fevereiro de 1943 para aproveitar rios e carvão. Em 1945 vieram o plano de eletrificação do Estado e o decreto federal que entregou ao Estado um conjunto de aproveitamentos hidráulicos. A primeira hidrelétrica foi a de Passo do Inferno, no município de São Francisco de Paula, em 1947 ou 1948, conforme a fonte.

Em 1951 ou 1952 a comissão virou autarquia. Em 1959 o Estado encampou a CEERG, que atendia Porto Alegre e Canoas, num movimento em que o sindicato dos eletricitários teve papel destacado por estudos acadêmicos. A natureza de companhia, na forma de sociedade de economia mista, veio em 1963.

Há ainda um detalhe pouco lembrado: comunicados do Estado dizem que o Dia do Eletricitário Gaúcho, lembrado em 1º de fevereiro, foi instituído por decreto estadual de 1973.

Anos 1950 a 1980: usinas e linhas pelo Estado

Os anos 1950 trouxeram a termelétrica de São Jerônimo, de 1953, e a hidrelétrica de Canastra, em Canela, de 1956. Em 1961 entrou em funcionamento a usina a carvão de Candiota, em Bagé, segundo a Memória da Eletricidade. Em 1962, as grandes usinas do rio Jacuí começaram com a de Jacuí, em Salto do Jacuí.

Nos anos 1970, Passo Real, em 1973, e Itaúba, em 1978, completaram o complexo do alto Jacuí. Em 1989, a potência de base hidráulica chegava a 882,9 megawatts, perto de dois terços do total da companhia, de acordo com a mesma fonte.

Ao mesmo tempo, a transmissão se espalhava: entre as décadas de 1960 e 1980, a CEEE implantou mais de 5 mil quilômetros de linhas de 230 e 138 quilovolts. Em 1967 incorporou a CEERG e, em 1972, a companhia que atendia Pelotas.

Cada uma dessas usinas tem história própria, contada em etapas no artigo Sete usinas para entender a geração.

1997 e 2006: a divisão em duas etapas

Em outubro de 1997, duas distribuidoras da CEEE foram leiloadas e viraram a AES Sul e a RGE. A estatal ficou com a capital, a região Sul, a geração hidrelétrica e a transmissão. As térmicas foram para a CGTEE, federalizada em 1998.

Em 2006, para cumprir a legislação do setor, a empresa se reorganizou em grupo: a holding CEEE Participações e as controladas CEEE-GT e CEEE-D. Datas, valores e compradores dessa divisão estão em Da divisão de 1997 às vendas de 2021 e 2022.

2019 a 2024: vendas e fim da holding

A segunda rodada começou com uma emenda constitucional estadual, em 2019, que retirou a exigência de plebiscito. A CEEE-GT foi dividida em CEEE-T e CEEE-G no início de 2021, e três leilões venderam as empresas: a distribuidora, ao grupo Equatorial, em 31 de março de 2021; a transmissora, ao grupo CPFL, em 16 de julho de 2021; e a geradora, à CSN, em 29 de julho de 2022.

Em março de 2024, a holding CEEE Participações foi encerrada, e o ciclo iniciado em 2006 terminou.

Quem controla cada parte hoje

Segundo as fontes mais recentes consultadas, até outubro de 2026, o quadro é este:

  • Distribuição: opera como CEEE Equatorial, do grupo Equatorial. A concessão cobre 72 municípios, entre eles Porto Alegre, e atendia mais de 1,7 milhão de clientes na época da venda.
  • Transmissão: a antiga CEEE-T pertence ao grupo CPFL e é chamada de CPFL Transmissão. Na época da venda, tinha cerca de 6 mil quilômetros de linhas.
  • Geração: a CEEE-G é do grupo CSN e reúne as usinas da antiga CEEE-GT, com cerca de 920 megawatts.
  • Holding: a CEEE Participações foi encerrada em março de 2024.
  • Distribuidoras vizinhas: a antiga AES Sul foi comprada pelo grupo CPFL em 2016 e passou a se chamar RGE Sul.

Esses nomes mudam com o tempo. Por isso cada informação vem com a data da fonte, e quem precisar de dado atual deve confirmar com a empresa e com a agência reguladora do setor.

Como ler uma notícia sobre a CEEE

Três perguntas resolvem a maior parte das dúvidas: de qual empresa fala a notícia, de qual ano é o dado e que tipo de data foi citada. As seis conferências do checklist da página inicial servem de roteiro.

Um exemplo: a CEEE foi vendida em 2021. Isso pode significar a autorização de 2019, o leilão da distribuidora em março, o da transmissora em julho ou a conclusão de uma das duas. E a CEEE, nessa frase, pode ser a companhia original, o grupo de 2006 ou uma só das empresas.

O que um texto histórico não resolve

Um guia como este ajuda a situar datas, entender a divisão do grupo e desconfiar de números sem fonte. Não substitui o atendimento da distribuidora, os dados da agência reguladora nem o trabalho de historiadores e arquivos, que guardam documentos que um portal não reproduz.

Se um dado publicado aqui estiver errado ou desatualizado, a redação quer saber.

Resumo em cinco pontos

Primeiro, a CEEE não tem uma data só: comissão em 1943, autarquia em 1951 ou 1952, companhia em 1963, grupo em 2006. Segundo, usinas têm decreto, obra, inauguração e potência, e cada documento usa uma delas. Terceiro, a divisão veio em duas rodadas, 1997 e 2021-2022, com a reorganização de 2006 no meio.

Quarto, leilão, assinatura e conclusão são datas diferentes. Quinto, cada parte da antiga CEEE tem hoje um controlador distinto, e esse quadro muda: vale olhar a data da fonte.

Se encontrar um erro ou quiser sugerir um tema, escreva para o e-mail da redação, na seção de contato da página inicial.

Fontes consultadas: Gunter Axt, artigo sobre a iniciativa privada nacional no setor elétrico gaúcho entre 1887 e 1928, História em Revista, Universidade Federal de Pelotas, 1998; Suéllen de Medeiros Cortes e Edgar Ávila Gandra, estudo sobre os eletricitários e a encampação da CEERG, anais do SIIEPE, Universidade Federal de Pelotas, 2023; Memória da Eletricidade, verbete “Companhia Estadual de Energia Elétrica - CEEE”, acervo digital; Portal do Estado do RS, “CEEE completa 69 anos nesta quarta-feira”, 2012, e matéria sobre os 65 anos da companhia, 2008; páginas estaduais sobre as privatizações da área de energia, sobre a CEEE Geração e sobre a CEEE Participações; Folha de S.Paulo (UOL), “Privatização da CEEE bate recorde de ágio”, 1997; Equatorial Energia, relatório do segundo trimestre de 2021; CPFL Energia, release do terceiro trimestre de 2021; CSN, resultado do segundo trimestre de 2026; portarias federais de Minas e Energia de 1999 e de 2020; Baguete, “CPFL compra AES Sul”, 2016.

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